O Reformista

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Segunda-feira, Outubro 19, 2009

PSD-Que futuro

Contributo para o debate


Para se poder preparar o futuro é preciso perceber primeiro quais os problemas que estão a amarrar o PSD e a diminuir a sua penetração no eleitorado.
A nosso ver existem quatro tipos de questões:


1ª Perda de sentido institucional.

O PSD passou a viver apenas do tacticismo do momento, adaptando em cada circunstância a solução que de momento lhe é mais conveniente.

Já defendeu (bem) com Sá Carneiro "Uma Maioria, Um Presidente" e mais tarde quando propôs Ferreira do Amaral valorizava a virtude de um Presidente como contraponto a um Governo de cor oposta e pedia aos Portugueses para não porem todos os ovos no mesmo cesto (mal).

O PSD que com Sá Carneiro e Cavaco Silva sempre se bateu pela estabilidade governativa e por governos de maioria absoluta na AR (bem) agora concorreu às eleições disposto a governar em minoria (mal). Depois das eleições claramente quer um governo minoritário do PS aonde todos façam tiro ao boneco, borrifando-se para o interesse do País. Nada disse sobre soluções estáveis (que passariam por defender, logo nas noite das eleições, um solução de governo estável, reservando para si o papel de alternativa e oposição uma vez explicado que dentro do arco de governabilidade outra solução é possível e as soluções de bloco central absolutistas são sempre de evitar por falta de capacidade de fiscalização pela oposição remanescente)

O PSD que com Cavaco afrontou a campanha contra a “ditadura da maioria” agora alinhou a sua campanha pela extrema-esquerda clamando contra a “asfixia democrática”


Sá Carneiro e Cavaco Silva foram sempre estruturalmente institucionalistas e fundaram a sua actuação em sólidos princípios e no interesse do País, e por isso os portugueses os seguiram. Esta uma das coisas que se perderam e a que o PSD tem que voltar sob pena de se perder.



A Reforma de Marques Mendes teve uma consequência importante, mais do que presidencializar o Partido criou um partido do Presidente. Ou seja o PSD passou a ser posse do Presidente de cada momento e mais da sua entourage. Ou seja a personalidade e os princípios do PSD passaram a ser a personalidade e os princípios do seu Presidente e seus acólitos . Com três líderes tão diferentes em três anos percebe-se como se deixou de se perceber o que é o PSD. O facto de estatutariamente se ter consagrado o princípio das eleições internas como um jogo e não como forma de apurar a vontade da maioria (50%+1) teve como resultado a “entrega” do Partido a Presidentes eleitos com menos de 40% dos votos. O PSD passou a ser um partido de facções, com cada facção em stress por se afirmar.



3ª A terceira questão é substituição da massa militante apaixonada e desinteressada, entrosada com o eleitorado do PSD, por militantes profissionalizados, movidos pelos seus interesses pessoais e jogando com as suas cliques de dependentes num feudalismo invertido que vai debaixo até ao topo. Assim se percebe a polémica inclusão de António Preto nas listas . António Preto percebeu há muitos anos que se inscrevesse militantes ganhava uma secção (Benfica). Percebeu que se se aliasse com outra grande secção (Algés) ganhava a Distrital. Se ganhasse a Distrital ganhava um lugar de deputado se sobretudo ganhava um enormíssimo leque de agradecidos pelos lugares no aparelho do estado que proporcionou. E foi com estes “ seus” votos que MFL ganhou as eleições.


4ª A ausência de uma linha programática definida concretizada em propostas de reformas - O PSD tem um magnífico Programa que define essencialmente uma linha ideológica assente em grande medida na inciativa privada e no empreendorismo, por uma lado, e nas . preocupações sociais que se querem universais, por outro. Sabe-se lá porquê Marques Mendes criou uma Comissão para escrever um novo Programa. MFL chegou às eleições sem qualquer Programa estruturado e considerou que as eleições eram apenas um exame aos desempenho de Sócrates, quando aquilo que interessa aos Portugueses é o seu Futuro e é isso que eles querem saber e escolher. Mais, quaisquer Reformas de fundo para serem implementadas precisam de ser previamente bem preparadas e promovidas junto do eleitorado.


Percebe-se assim o que é preciso fazer para o PSD ter futuro :


1- Voltar aos princípios e ao interesse do País, começando pelo mais básico que é ter um lider eleito por mais de 50% dos votos, com recurso a segunda volta se necessário.

2- Estruturar o PSD de forma a que este possa viver independentemente dos seus lideres. Aonde todos possam continuar a colaborar independentemente de se terem engajado ou não a candidaturas, vencedores ou perdedoras. Com um grupo de estudos aberto e em colaboração activa com o Partido e o Grupo Parlamentar.

3- Devolver o partido ao seu eleitorado.

4- Dedicar os próximos dois anos a criar um Programa de Governo para 10 anos que concretize em propostas de Reforma os princípios expresso no Programa do PSD e os outros dois a promovê-los junto do eleitorado. (os timings poderão ser encurtados). Este Programa deverá ser o cimento de união do PSD e a ponte com o eleitorado.

2 Comments:

Anonymous Carlos said...

Caro António,
Tem muita razão na maior parte das suas "medidas".
No entanto, não consigo ver, neste momento principalmente, um PSD unido sem que apareça alguém carismático (para não dizer "ditador") de modo a acabar com as cliques e apetites de poder.
O PSD teve 2 momentos fortes - em ambos havia a tal personagem carismática, respeitada e temida - Sá Carneiro e Cavaco Silva.
O PSD não vive sem comando, mas também não existe sem as bases. Logo precisa de comando aceite e apoiado nas bases. Isso é o busílis !

9:57 AM  
Blogger O Reformista said...

A liderança concerteza que é precisa. Mas ela deve ser entregue a alguém que assuma estes valores.
Mais, precisa começar pelo princípio e dizer que só áceita ser Presidente se tiver mais de 50%dos votos.
Se não for assim tudo continuará na mesma e o PSD sempre a cair

Ps há uam 4ª Questão que é a programática. OS PSD tem excelentíssimo programa enquadrador assente no valor da incitaiva individual e no empreendorismo. Não precisa de novo programa como quis Marques Mendes. Precisa sim de definir um Programa de Governo para 10 anos, assente na filosfia expressa no Programa do PSD

12:56 PM  

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